Entrevista com Bruno Reis – vice-prefeito de Salvador

Dando seguimento a nossa série de entrevistas especiais para o Carnaval de Salvador, conversamos com o vice-prefeito Bruno Reis. Nascido em 17 de maio de 1977, morou até os 5 anos em Juazeiro (BA). Depois, se mudou para Salvador, onde construiu sua
vida e carreira. Bruno é formado em Direito pela Universidade Católica do Salvador
(Ucsal), pós-graduado em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Mestre
em Desenvolvimento e Gestão Social pela Universidade Federal da Bahia
(Ufba). Também é professor universitário de Bases Constitucionais da
Administração Pública.

Qual a estimativa de foliões no Carnaval deste ano?

Salvador vive o verão da década, com hotéis, bares, restaurantes e pontos turísticos lotados. A cidade está na moda e tem recebido destaque em importantes publicações internacionais, como The New York Times e National Geographic. O Carnaval vai refletir o momento extremamente positivo pelo qual passa a nossa capital. A maior e mais animada festa popular de rua do planeta vai atrair cerca de 800 mil visitantes para Salvador este ano. Desse total, 403 mil são do interior da Bahia, 267 mil de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco, além de 130 mil de outros países, como Portugal, Argentina, França, Itália e Alemanha. Esperamos movimentar R$ 1,8 bilhão e gerar 250 mil postos de trabalho no período da folia. A previsão é de ocupação total nos hotéis que estão nos circuitos oficiais do Carnaval. Os mais afastados devem ter entre 90% e 95% de leitos ocupados. De quarta até a segunda-feira de Carnaval, devem chegar ainda aproximadamente 13 mil turistas em navios de cruzeiro. Para garantir que todos se divirtam confortavelmente na primeira capital do Brasil, montamos uma operação especial, envolvendo 10 mil colaboradores de vários órgãos municipais.

Como a prefeitura atuará nos circuitos da folia em relação à inclusão social?

A nossa gestão investe 76% do orçamento municipal em projetos sociais. E essa preocupação com as pessoas mais vulneráveis também se reflete no período do Carnaval, quando desenvolvemos diversas ações nesse sentido. Teremos quatro Casas de Acolhimento Provisório para abrigar 400 crianças e adolescentes, filhos de catadores e ambulantes que trabalham na festa. Teremos ainda o Observatório da Discriminação Racial, LGBT e Violência contra a Mulher, com um posto central no Campo Grande, além de mais seis mirantes nos circuitos Osmar (Centro) e Dodô (Barra/Ondina). Outra iniciativa importante, que completa cinco anos em 2019, é a manutenção dos Camarotes Acessíveis da Prefeitura, promovendo a inclusão social nos circuitos, por meio da oferta de espaços com segurança e vista privilegiada a deficientes e idosos, a partir de 60 anos. O projeto Bailinhos de Lazer vai realizar eventos e atividades lúdicas às crianças das comunidades periféricas de Salvador, com bandas de fanfarra, distribuição de kits com bolinha de sabão, confete, serpentina, mamãe-sacode, apito, tinta para cabelo, entre outros. Vamos realizar também ações para identificar e combater situações de vulnerabilidade social, como o trabalho infantil e a exploração sexual infanto-juvenil.

Fale da parceria da Prefeitura junto ao Comcar neste Carnaval. E quais as expectativas e ações da gestão municipal para atender a demanda nos circuitos da festa.

A parceria da Prefeitura de Salvador com o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) sempre foi benéfica para o aperfeiçoamento da festa. Juntos, fazemos um Carnaval sempre melhor do que o do ano anterior. O tema oficial da folia deste ano, que é “O Mundo Escolheu Salvador”, foi definido pela administração municipal, com o aval do Comcar. Ou seja, trabalhamos em sintonia. Em relação à folia, a expectativa é a melhor possível. A nossa operação, como falei anteriormente, envolve cerca de 10 mil colaboradores de diversos órgãos, para oferecer a baianos e turistas mais conforto e segurança. Na área da saúde, teremos cerca de 1,5 mil profissionais, dez Módulos Assistenciais funcionando 24 horas nos circuitos oficiais, com 130 leitos para atendimento a pacientes clinicamente instáveis. Contaremos com o apoio do Samu 192, das emergências e dos hospitais. Teremos 960 pessoas trabalhando com o ordenamento da festa, envolvendo operações da Salvamar, de combate à poluição sonora e de defesa do consumidor. A Limpurb realizará ações especiais de varrição, lavagem de vias, limpeza e manutenção de sanitários públicos. Essas equipes devem coletar 1,6 mil toneladas de resíduos. A Guarda Municipal vai trabalhar com 900 agentes, dando apoio a diversos órgãos municipais. A Guarda vai realizar patrulhamento e operações de prevenção à violência, garantindo também a execução de serviços públicos. O órgão fará o monitoramento em áreas cobertas por câmeras, com o objetivo de proteger o patrimônio público, por meio do Centro de Operações e Inteligência. Já a Transalvador vai promover ações educativas, coletar dados de acidentes, elaborar estatísticas e realizar operações de fiscalização. O plano operacional do órgão ainda traz mudanças temporárias no trânsito para diminuir o tempo de deslocamento dos foliões nos dias de festa. O sistema de transporte coletivo vai operar com todas as 400 linhas de ônibus e com frota total, de 2.400 veículos, dividida em três faixas horárias, conforme a demanda. Ainda vamos oferecer como opção de transporte o Expresso Carnaval, um serviço especial com diversos ônibus, que sairão do Salvador Shopping e do Salvador Norte Shopping, a cada 20 minutos, sem parar ao longo do percurso. No Carnaval, o Elevador Lacerda ainda vai funcionar gratuitamente, assim como o Plano Inclinado Liberdade-Calçada. Em outras palavras, é com muita dedicação que vamos atuar nas mais diversas áreas para atender a demanda de serviços públicos nos circuitos da festa mais animada do Brasil.

Entrevista: Ana Geisa Lima (Goya Comunicação & Eventos)

Foto: Divulgação

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